Sinalização de lugar de memória relembra porque o bairro da Liberdade, em São Paulo, leva esse nome

Em agosto de 2019, instalamos uma sinalização na Praça da Liberdade, na saída do metrô, relembrando o que o local havia sido, no passado, o Largo da Forca, ou seja, local onde aconteciam as execuções em praça pública. Nas placas colocadas na Praça, explicamos como esse uso do passado dialoga com o nome atual do bairro e mencionamos algumas histórias e usos que foram apagados com a urbanização e ressignificação dos espaços.

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Sinalização de “lugar de memória”na Praça da Liberdade

A motivação para implantar uma sinalização de “lugar de memória”, neste mês, foi o fato de em agosto ter uma confluência de eventos que dialogam com o resgate histórico da cidade. Estes são: a Semana do Caminhar — que teve como tema do ano “aprender caminhando”; a Jornada do Patrimônio — evento que resgata o patrimônio material e imaterial da cidade — e a Virada Sustentável.

“Lugar de memória” é uma denominação para locais em que acontecimentos do passado, segundo Pierre Nora, têm “vontade de memória”, isso significa serem resgatados e contados no local. Esses acontecimentos e memórias coletivas foram apagados de forma proposital e ainda constituem e refletem a história do presente.

Nesse sentido, vale lembrar que a estação de metrô na praça da Liberdade teve recentemente seu nome modificado de “Liberdade” para “Liberdade-Japão”, o que representou mais uma ação de predominância de uma cultura e de apagamento de outras histórias, até mesmo de outras cultura orientais que compõem o bairro. Essa ação ignorou mais ainda a origem do nome do bairro, além das dinâmicas que aconteceram ali antes da chegada dos imigrantes japoneses.

A sinalização instalada é considerada “informativa”, pois apresenta histórias do local para as pessoas que passam. Para isso, criamos um modelo composto de duas partes: a primeira contém informações resumidas e imagéticas, com suporte de pictograma, enquanto que a segunda aprofunda nas informações históricas dividida em três seções: “você sabia?”, “dizem que…” e “memória do bairro”. Confira a sinalização ao lado.

Após mapear o local, foi definido que o melhor suporte para instalação das placas seria um poste de iluminação e wi-fi em frente à saída do metrô, onde há intenso fluxo de pessoas, tendo alta visibilidade. A instalação foi feita à luz do dia com fios de metal e alicate fixando as placas no poste, o que chamou a atenção das pessoas que ali passavam.

Durante a instalação, muitas pessoas paravam para ler e perguntavam se aquilo era real. Porém, após a placa ser instalada notou-se que não havia muitas pessoas que se detinham em frente a ela. Observamos que isso pode ter acontecido porque muitas pessoas passam apressadas e/ou olhando para seus celulares. Infelizmente, uma semana depois, averiguamos que a placa foi retirada. Tentaremos instalar novamente a sinalização no local, desta vez em um muro privado e utilizando técnicas que fixem melhor. Esperamos assim, manter esta memória no local assim como realizar uma pesquisa com as pessoas que passam sobre as placas e a informação fornecida para captar seus efeitos e importância.

Sobre a iniciativa Emplacando a Cidade

Esta sinalização é parte da iniciativa #emplacandoacidade do SampaPé!, a qual a cada mês se propõe a instalar uma sinalização em um local na cidade. A iniciativa pretende fazer uma revolução da forma como a cidade e as ruas se comunicam e dialogam com as pessoas, tendo as pessoas a pé no centro e valorizando a memória, o afeto, o caminhar, o aprendizado e as reflexões.

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ONG que tem como fim melhorar a experiência de caminhar nas cidades.

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