Sentindo nos Pés com Carlos Eduardo Fernandes

Exploramos a região da Lapa com seu Prefeito Regional, percorrendo memórias, obstáculos e passagens inusitadas

Carlos Eduardo nos apresenta a Lapa

No episódio que encerra a segunda temporada do Sentindo nos Pés, percorremos o centro da Lapa com seu Prefeito Regional, Carlos Eduardo Fernandes, um verdadeiro cidadão lapense. A linha do trem foi a presença mais marcante do trajeto, que foi sendo modificado conforme nosso convidado se lembrava de locais relevantes.

O Sentindo nos Pés é o projeto que convida quem toma decisões na cidade a caminhar com o SampaPé, apontando e observando como estão as condições da cidade para o deslocamento a pé.

O trajeto
Caminhamos pela centralidade do bairro, tendo como ponto de partida a Prefeitura Regional, que é parte do antigo Tendal da Lapa, e está localizada muito próxima a serviços importantes do bairro — que, portanto, demandam muitas viagens a pé — como o Poupatempo, a estação do trem e o terminal da Lapa.

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Alguns números de demandas de viagens a pé na região

Linha do trem, conexão ou barreira?

O início da caminhada foi marcado pela linha do trem. A Lapa conta com duas estações de duas linhas distintas da CPTM (linhas 8 e 7), que não estão integradas, apesar de estarem a menos de 800 metros de distância. O Prefeito Regional chamou a atenção não só para este fato, mas também à falta de acesso (entrada e saída) para ambos lados (lapa de cima e de baixo) da estação.

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Apesar de ter rampa de acesso para a estação, a estação não tem acesso por ambos lados do bairro

A linha do trem corta o bairro, dividindo-o em Lapa de cima e Lapa de baixo. Para atravessar de um lado ao outro é preciso encarar passagens subterrâneas como a Toca da Onça, que originalmente era uma galeria pluvial — e por isso sempre alaga quando chove. O local foi contemplado por um projeto de arte urbana promovido pela Prefeitura Regional, o Lapa Street Art, que ao menos melhora a sensação ao passar por lá, despertando o interesse dos transeuntes.

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Na passagem Toca da Onça, sem acessibilidade

Vendedores ambulantes
Como passamos por uma região de comércio intenso, encontramos ambulante por toda parte, principalmente nas calçadas. Carlos Eduardo reconheceu a importância deles para a segurança dos pedestres, mas ressaltou a necessidade urgente de encontrar soluções para uma melhor convivência no espaço da rua. Ainda sobre o tema, o convidado chegou a mencionar uma pesquisa realizada pela SPtrans que perguntou aos passageiros o que gostariam que melhorasse nos ônibus e as pessoas disseram que gostariam que houvesse comércio ambulante no caminho para casa.

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Nós caminhando na Lapa de Baixo com presença de ambulantes próximo aos pontos de ônibus

Informação nos pontos de ônibus

Na rua William Speers, colada ao muro do trem na Lapa de baixo, conseguimos achar alguns bons exemplos em que os postes de ponto de ônibus por si já servem como placa de informação aos usuários sobre a linha, locais que passa e frequência. Uma solução simples e bastante escassa na cidade.

Acessibilidade

Há um elemento de acessibilidade que por lá está ganhando relevância: elevação das calçadas em ponto de ônibus para diminuir o abismo entre o ônibus e a calçada. Como parte das obras que estão sendo feitas na região ao lado do Mercado da Lapa, aléms de amplicação em 60 cm a calçada já haverá a elevação das calçadas nos pontos de ônibus.

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Obra ao lado do Mercado da Lapa que vai ter elevação das calçadas nos pontos de ônibus

Mercado da Lapa
Além da função de acesso a produtos frescos o mercado tem outras funções muito importantes para quem está a pé: funciona como espaço de passagem, oferece banheiros públicos e até acessíveis, muito necessários na cidade, e também representa a história local e mantém a memória. Passando por lá Carlos Eduardo encontrou conhecidos que nos contaram sobre sua relação com o mercado e quem também tem bastante carinho pelo bairro.

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Morador do bairro também da verde para o Mercado da Lapa

Memória local

Saindo do mercado fomos em direção viela Ema Ângelo Murari que também passou pelo projeto de arte urbana da Prefeitura Regional. Chegando lá as boas vindas é de uma casa muito preservada que Carlos Eduardo nos mostrou que era antigamente sede a Banda Operária da Lapa. A viela, está seguindo o curso do córrego e por isso os estabelecimentos por ali tem comportas pois quando chove o rio aparece.

Lapa 21
O bairro está passando por um projeto de requalificação de calçadas em parceria com a SPTrans, o Lapa 21, que teve sua primeira etapa realizada por emenda parlamentar da vereadora Soninha Francine, que já foi nossa convidada. O projeto qualificou e fez calçadas com o padrão de acessibilidade definidos nas normas de uma lado da Rua Catão, conectando o terminal da Lapa à Biblioteca Municipal Mário Schenberg onde encerramos nosso trajeto.

Além disso, o projeto ampliou calçadas para diminuir as travessias para quem está a pé combinando com arte urbana, vale a pena conferir a live que gravamos nesta parte para conhecer mais do projeto.

Em sua fala final, Carlos Eduardo destaca a importância da participação da comunidade para definir os projetos e construir junto um bairro mais caminhável, e o papel da Prefeitura Regional e conseguir promover e manter estes diálogos e traduzir os anseios da população nas ruas.

Obrigada por nos acompanhar e até a próxima temporada!

Para assistir os episódios anteriores veja a playlist no Youtube.

Written by

ONG que tem como fim melhorar a experiência de caminhar nas cidades.

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