Sentindo nos Pés com Aline Cardoso

SampaPé leva mais uma tomadora de decisão a caminhar na cidade — a secretária municipal de trabalho e empreendedorismo — para refletir sobre como melhorar as condições da mobilidade a pé em São Paulo

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A escolha do roteiro
O programa Sentindo nos Pés, criado pelo SampaPé, tem o objetivo de aproximar tomadoras e tomadores de decisão da pauta da mobilidade a pé. Quando a vereadora Aline Cardoso foi convidada por nós, tínhamos a preocupação de propor um caminho que fizesse sentido para o seu trabalho. Apesar de ter sido eleita vereadora, hoje Aline é a titular da pasta de Trabalho e Empreendedorismo. Por isso, sugerimos que o trajeto passasse por alguma área de intenso comércio de rua. A equipe da secretária então trouxe uma sugestão de roteiro pelo centro, que não poderia ser melhor: sair da galeria Olido e terminar na Pinacoteca, passando pela 25 de Março, Mercado Municipal e rua São Caetano (ou rua das noivas).

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o caminho que percorremos

Abrindo o olhar
Para que a caminhada seja dinâmica, propomos às pessoas participantes um exercício de registro do que acham de positivo e negativo no caminho. Entregamos uma moldura vermelha e uma verde, que devem ser usadas pela participante para tirar fotos, com seu celular, do que é bom e ruim. Logo de cara, a secretária registrou uma série de problemas nas calçadas — e explicou que eles ficaram mais notáveis para ela depois que se tornou mãe e passou a ter que encarar a cidade com carrinho de bebê.

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As molduras usadas no exercício
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Mobilidade ativa e comércio
Por estar caminhando com a secretária de Trabalho e Empreendedorismo, por muitas vezes conversamos sobre a relação entre mobilidade ativa e comércio. Por exemplo, a importância das fachadas ativas nos prédios, normalmente ocupadas por comércio e serviços, para tornar a rua mais agradável ao caminhar. Outro ponto interessante discutido foi o enorme volume de entregadores que trabalham a pé e de bicicleta no centro da cidade — e como eles são impactados positivamente com a rede de ciclovias e áreas acalmadas.

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Entregador de bicicleta no centro

Bom ou ruim?
A secretária sinalizou positivamente a presença de um edifício novo situado entre o largo do Paissandu e a rua Santa Ifigênia, que conta com residências e comércio, denotando um novo tipo de ocupação no centro. Mas esse mesmo prédio contava com vários andares de garagem nos primeiros pisos — ponto para o qual chamamos atenção como algo negativo, e Aline concordou

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o prédio controverso

Viaduto Santa Ifigênia
Aline revelou que fazia muito tempo que não passava por ali e que não se lembrava do quanto era bonito. Ela até encontrou um outro colega de trabalho caminhando pelo viaduto, que é uma das únicas pontes exclusivas para a mobilidade ativa existentes na cidade.

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admirando a vista do viaduto Santa Ifigênia

Ladeira Porto Geral
Descemos a ladeira Porto Geral em um horário tranquilo, com muito menos pessoas do que há nos horários de pico. Mesmo assim ficou claro que não há mais espaço para carros circularem por essa via. Destacamos que ela está seguindo uma transição natural para se tornar uma rua compartilhada, onde os carros devem pedir licença aos pedestres e ciclistas, e não ao contrário. Infelizmente anda não chegamos nesse estágio — tanto que um taxista ficou bravo ao ter que parar seu carro no meio da ladeira e esperar concluirmos uma selfie no meio da rua.

Rua 25 de Março
Na principal rua de comércio de São Paulo, também é evidente que os carros devem perder cada vez mais espaço para dar lugar às pessoas. Conversamos sobre possíveis soluções naquela rua, onde para muitos parece que a enorme quantidade de ambulantes atrapalha os pedestres — quando, na verdade, é o espaço muito grande destinado aos veículos que poderia ser ocupado por ambulantes, deixando as calçadas livres. Ainda assim, a secretária notou que há trechos onde as calçadas foram ampliadas, a fim de acomodar mais pedestres e ambulantes.

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caminhando nas coloridas paisagens da 25 de março

Mercado Municipal
O caminho entre a 25 de março é mais próximo do que muita gente imagina e cheio de traços multiculturais. Ao chegar ao mercado, Aline contou que não fazia ideia do quanto o local era acessível de metrô — o que denota a importância de sinalizar os caminhos a pé pela cidade. Quantas pessoas deixariam de ir ao Mercadão de carro se soubessem que ele está a 10 minutos de caminhada da estação São Bento do Metrô. Chegando lá, também conversamos sobre os planos da SPUrbanismo de revitalizar o seu entorno — o que é uma ótima oportunidade para construir uma verdadeira rede de mobilidade a pé, com calçadas de qualidade conectadas por boas travessias, sinalização e mobiliários públicos adequados. O Mercadão também se destaca pela excelente sinalização interna para os visitantes não se perderem em seus corredores imensos.

Estacionamentos e mais estacionamentos
Saindo do Mercado Municipal em direção à Luz, passamos pela rua Cantareira, que está repleta de estacionamentos, um atrás do outro. A quantidade enorme de entra-e-sai de carros dos loteamentos é terrível para as calçadas, que estavam completamente esburacadas. Na nossa conversa, ficou evidente que a área do Mercadão e Zona Cerealista ainda traz muitos carros para aquelas ruas, o que torna essa área muito desagradável para caminhar — e consequentemente, mais perigosa à noite. Aline se convenceu de que era importante que qualquer plano de “requalificação” do centro da cidade deve contemplar a conversão da vocação desses imóveis, para não criar “ilhas” ermas na região.

Rua das noivas
A rua São Caetano é a melhor surpresa do caminho. Famosa rua comercial de São Paulo, tem as melhores calçadas do percurso e uma arquitetura interessante, que mescla a fachada de comércios com prédios antigos tombados. Um simpático banquinho posicionado em frente a uma loja nos convidou a fazer uma pausa e a conversas sobre o quanto o mobiliário urbano é um importante apoio para as áreas de comércio.

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parada para curtir o banco público

Grades e passarelas, para quê as quero?
Chegando ao final da rua São Caetano, avistamos nosso destino: a Pinacoteca de São Paulo! Qual a nossa surpresa ao descobrir que, para chegar lá, era preciso andar mais 500 metros até alcançar uma passarela. Tudo isso porque entre o local onde estávamos e nosso destino há a avenida Tiradentes, uma avenida com muitas faixas para carros que, na leitura do poder público, não pode ser “atrapalhada” por um semáforo e faixa de pedestre. Mais um sinal de que a cidade não prioriza quem caminha.

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vendo o quanto caminhamos a mais por ter que passar pela passarela

De cima da passarela, a secretária destacou a praça do entorno da estação Luz da linha amarela, muito bonita e…cheia de grades. Definitivamente, não é para as pessoas!

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fazendo o balanço do programa na sombra do Parque da Luz

Finalizamos nossa caminhada na Pinacoteca e gravamos o balanço final no Parque da Luz. Aline Cardoso destaca, entre seus aprendizados, a importância de pensar os bairros da cidade de forma integrada, de maneira a não criar bolsões intransponíveis entre pontos caminháveis. Contamos com a sua ajuda para melhorar essa realidade e agradecemos muito pela sua disponibilidade.

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Muito obrigada por acompanhar mais um Sentindo nos Pés, e até a próxima!

Written by

ONG que tem como fim melhorar a experiência de caminhar nas cidades.

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