Ruas para Mobilidade Ativa na Pandemia: urbanismo tático para ampliar a área de caminhada na Ladeira Porto Geral

Avaliando os impactos da ampliação de calçada na rua de acesso a uma das principais zonas comerciais da cidade. A ação que foi um pontapé para ações rápidas focadas em mobilidade ativa na cidade, considerando a urgência da pandemia.

Matéria no Programa Metrópolis da TV Cultura por Rachel Schein

O dimensionamento das calçadas em São Paulo é insuficiente para promover deslocamentos a pé com distâncias seguras entre as pessoas na pandemia e a segurança viária. Levantamento do Instituto Cordial mostrou que 73% das calçadas da cidade tem menos de 2,9 metros de largura.

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Instituto Cordial: Gráfico da largura de calçadas da cidade de São Paulo

As calçadas da Ladeira Porto Geral estão dentro dessa estatística, tendo em média 2,75 metros em cada lado.

Na rua está a entrada/saída da estação de metrô São Bento que dá acesso ao pólo comercial da região da 25 de Março que atrai pessoas de toda a cidade e de outros municípios do estado. A região atrai cerca de 400 mil pessoas por dia e mais de um milhão perto de datas comemorativas, como o Natal.

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Foto: Menino do drone . Edição: SampaPé!

No dia 18 de outubro realizamos a ação de urbanismo tático que ampliou a calçada de um dos lados da rua Ladeira Porto Geral, na Sé, no centro de São Paulo. A ação foi realizada por meio de pintura no asfalto com desenho artístico desenvolvido pela artista urbana Cleo @cleo.tamojunto. O projeto técnico de ampliação foi desenvolvido pela CET, com a faixa de ampliação com 2 metros de largura, de forma que a área de veículos passou de 5 metros de largura para 3 metros.

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Foto: Menino do drone . Edição: SampaPé!

Segundo levantamento da CET, em horário comercial, passam 13 mil pessoas a pé por hora e 170 veículos. Assim, considerando que a média de ocupação de carros na cidade é de 1,4, teriam cerca de 238 pessoas em veículos por hora. Dessa forma, pessoas a pé representa 98% da usuárias da rua e em veículos 2%. Entretanto a distribuição do espaço da rua, antes da intervenção, correspondia a 48% para veículos e 52% para as pessoas. Com a intervenção a distribuição passou a ser 71% para caminhar e 29% para veículos.

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Foto: Menino do drone . Edição: SampaPé!
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Buscando chamar atenção para essa distribuição injusta das ruas, a intervenção ampliou o espaços de caminhar por meio de pintura no asfalto. Sinalizações para que as pessoas mantenham distância uma das outras também foram instaladas, considerando o momento.

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Foto: Leticia Sabino

A ação foi coordenada pelo SampaPé!, com parceria e sobre base do projeto da CET-SP e financiada pelo Aromeiazero como parte do Festival Bike Arte Gira. A articulação para fazer acontecer foi iniciada pela mobilização e pressão política “Ruas para Mobilidade Ativa durante a Pandemia”, encabeçada por nós do SampaPé!, junto a parceiros — Instituto de Arquitetos do Brasil — Departamento de São Paulo, a Ciclocidade, o Instituto A Cidade Precisa de Você, o Instituto Aromeiazero, o Instituto Corrida Amiga, o coletivo Metrópole 1:1, a Cidadeapé — Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo e a Cidade Ativa. A incidência e articulação levou a realização de duas oficinas participativas online, co-organizadas junto ao Aromeiazero e a Cidadeapé — e nessa etapa houve envolvimento da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie e da Associação Comercial de São Paulo.

Para nós, a rua deveria ser completamente aberta para as pessoas. Mas foi apontado pela prefeitura que devido a acesso a dois prédios de estacionamento na Rua Varnhagen no meio da área intervinda, ainda não foi possível encontrar uma solução. Entretanto, neste ano, antes do dia das crianças, uma ação operacional da subprefeitura realizou a abertura da Ladeira e da 25 de Março e o mesmo deve acontecer mais próximo ao Natal. Essas abertura de ruas comerciais devem também acontecer em outros pólos. O IAB-SP está liderando ações no mesmo sentido chamadas de Ruas Vivas.

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Foto: Luís Felipe Abbud | estúdio NúMENA

A ladeira foi apenas o pontapé inicial para que a situação da pandemia impulsione a mudança de paradigma do uso das ruas da cidade, com foco na saúde e bem estar das pessoas. Continuaremos impulsionando políticas e ações de urbanismo tático para que as ruas sejam áreas de lazer, encontro, circulação, compras, favorecendo a circulação a pé e fortalecendo outras centralidades de bairro.

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ONG que tem como fim melhorar a experiência de caminhar nas cidades.

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