Idosos e Idosas pelo seu direito à cidade, a pé!

Em junho, promovemos atividades para reconhecer os desafios de caminhar nas cidades agravados com a idade, e aprendemos o que a geração 60+ aponta como uma cidade ideal para acolher e estimular sua presença nos espaços públicos

Por Leticia Sabino, com participação de Andrew Oliveira, Fernanda Pitombo e Ana Laura Costa

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Grupo de idosos avaliando o entorno do SESC Guarulhos. Foto: Frederico Levy

Caminhar na cidade após os 60 anos é vital

Caminhar é o meio de deslocamento mais utilizado nas cidades brasileiras e também o mais democrático. Segundo John Butcher, fundador da instituição britânica que atua pelo caminhar, Walk21, “caminhar é a primeira coisa que se deseja fazer, quando criança, e a última que se quer deixar de fazer ao envelhecer” (tradução livre). Quando se fala na população idosa, andar a pé é vital, sendo de grande importância para encontrar pessoas, manter a saúde e o equilíbrio.

De acordo com Allen Glicksman, diretor de pesquisa e avaliação da Corporação da Filadélfia para Envelhecimento, a caminhabilidade deveria ser considerado importantíssima na gerontologia, já que mantém a mente e o corpo ativo através do entorno e da rotina que propicia às pessoas. Ele chama atenção para o fato de os programas de saúde para idosos ignorarem uma parte essencial para garantir saúde, longevidade e qualidade de vida: os bairros.

O guia da Organização Mundial da Saúde (OMS) para Cidades Amigáveis para Pessoas Idosas (em inglês Age-Friendly Cities) aponta alguns elementos dos espaços públicos essenciais para que a cidade seja amigável, entre eles, “calçadas amigáveis para pessoas idosas”; “lugares para descansar nas ruas” como bancos para sentar nas calçadas e praças no caminho; “travessias seguras” apontando medidas de acalmamento de tráfego; e claro, medidas de acessibilidade.

Ainda, que por um lado exista pesquisas e manuais evidenciando princípios e elementos para gerar cidades que acolham as pessoas idosas. Por outro lado, a realidade das condições dos espaços públicos é bem diferente, e as consequências drásticas.

Desafios da mobilidade a pé agravados com a idade

Caminhar é o modo de estar se deslocar nas cidades que recebe menos investimento em infraestrutura e que sofre consequências mais severas ao não ser verdadeiramente tratado com prioridade. Uma grave consequência são os atropelamentos que, na cidade de São Paulo, matam ao menos uma pessoa por dia. Tal consequência pode agravar-se com a idade, 36% dos atropelamentos fatais na cidade atingem pessoas com mais de 60 anos de idade (segundo Relatório de Acidentes de Trânsito da CET).

Um dos culpados por este resultado violento é o tempo disponível para atravessar as ruas, quando há semáforos. Um estudo feito na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP apontou que 97,8% dos idosos em São Paulo não caminham na velocidade adotada como padrão pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-SP) para regular os semáforos. Enquanto a velocidade adotada é de 4,3 km/h, a média calculada com os participantes do estudo foi de 2,7 km/h. Mostrando claramente que a cidade não está sendo planejada para as todas as pessoas se deslocarem com segurança.

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Travessia ao longo de trajeto a pé. Foto: Frederico Levy

José Leopoldo Ferreira Antunes, professor titular da FSP e orientador da pesquisa, destacou a importância dos resultados para constatar como a cidade não é regulada e pensada para as pessoas idosas, tendo como efeito o confinamento em casa. Como o caminhar proporciona bem estar, a saúde e a interação social, alguns obstáculos, como a dificuldade nas travessias, relacionam-se diretamente com a perda de qualidade de vida e autonomia da pessoa idosa.

Etienne Duim, uma das autoras do artigo, que publicou os resultados da pesquisa no Journal of Transport & Health, afirma que São Paulo poderia adotar mudanças como as feitas na Inglaterra e Espanha. Estes países reduziram a velocidade média de pedestres em seus manuais, levando ao aumento do tempo para a travessia. Essa mudança deve ser acompanhadas de outras medidas, como diminuir a velocidade dos veículos na cidade e incentivar o uso de transporte público. Esta combinação colabora para autonomia e mobilidade da população idosa e na diminuição de acidentes por atropelamento.

Curitiba adotou uma alternativa para aumentar o tempo de travessia não só para os idosos, mas também para pessoas com deficiência, grávidas e pessoas com crianças pequenas. Seu funcionamento é induzido pelas pessoas nas condições mencionadas, estas pessoas têm acesso a um cartão que deve inserir em um dispositivo eletrônico instalado no semáforo. Ao fazer isso, o tempo semafórico é recalculado, permitindo que a pessoa tenha mais tempo para atravessar a rua. Porém, iniciativas assim tratam as pessoas beneficiadas como exceção ao invés de fazer cidades que sejam amigáveis para todos e todas, não sendo uma solução realmente inclusivas.

Outro problema que atinge de forma mais aguda e extrema a população com mais de 60 anos, são as quedas nas calçadas. Apesar de ser difícil de quantificar por não ser considerado acidente de trânsito, foi feito um levantamento em 2012 pelo então ombudsman da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), Philip Gold, em que se estimou que, em média, 171 mil pessoas sofrem quedas nas calçadas da grande São Paulo por ano. O que segundo o levantamento gera um custo social (incluindo resgate, tratamento e reabilitação) de R$ 2,9 bilhões anualmente.

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Registro de calçada esburacada durante atividade no SESC Carmo. Foto: Frederico Levy

Em outro levantamento de atendimentos do pronto-socorro de ortopedia do Hospital das Clínicas (HC) feito em 2009 e 2010, conclui-se que 45% dos atendimentos da área são referentes a quedas em calçadas. Além de toda a dor, desconforto e inconvenientes das quedas, elas podem agravar o isolamento por limitar a mobilidade, ainda que temporariamente, além de, em casos mais graves conforme a intensidade da queda poder até mesmo ocasionar morte.

Esses dois problemas, gerados pela ausência de condições tão elementares, calçadas e travessias adequadas, apenas ilustram como cidades que, de fato, não priorizam o modo a pé e não têm no centro as pessoas e o caminhar, atingem alguns grupos de pessoas de forma ainda mais grave, negando-lhes seu direito à cidade cotidianamente.

Semana de Prevenção de Quedas de Pessoas Idosas do SESC

Para olhar para além dos dados, empoderar e escutar as pessoas idosas, estivemos em diferentes territórios avaliando e repensando as cidades junto à geração 60+ em uma instituição que acolhe este o público: o SESC. O SESC atende um grande público idoso e, por isso, realiza diversas atividades e semanas educativas para manter as pessoas física e socialmente ativas em todas as idades. Nesse sentido, promove a Semana de Prevenção de Quedas, cujo tema deste ano foi “encontro o meu espaço no compasso da cidade”.

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Imagem de livreto da Semana de Prevenção de Quedas em Idosos 2019 do SESC

A instituição promoveu esse tema entendendo que a “vida acontece na cidade, nas ruas, nas praças, no uso de transporte público, na vida em vizinhança no bairro e na comunidade, nos espaços de cultura, e em tudo aquilo que se explora ao sair de casa” e que “por isso explorar plenamente as cidades significa cidadania e qualidade de vida na longevidade, pois propicia a ampliação de possibilidades de socialização, amizades, aprendizados e trocas de saberes.” (trechos do texto de divulgação da Semana pelo SESC).

Avaliar a cidade e ansiar mudanças para melhor qualidade de vida e autonomia

Com base no tema, realizamos dois tipos de atividades para os SESCs: Índice Cidadão de Caminhabilidade e Oficina de Mapas e Aplicativos para Explorar a Cidade. Estivemos em 4 unidades do SESC: o tradicional SESC Carmo no centro da cidade, o tranquilo e animado SESC Ipiranga, colado no parque de Independência, o recém inaugurado SESC Guarulhos e fomos para o interior caminhar no SESC São Carlos.

No início de todas as atividades, a rodada de apresentação das pessoas vinha acompanhada da pergunta “Qual é a sua maior dificuldade andando nas ruas da cidade?”. À primeira vista, ninguém quer dizer que tem dificuldades, então ressaltam como fazem tudo a pé e de ônibus, pois autonomia é muito importante. Mas aos poucos revelam-se alguns dos obstáculos que não são nenhuma novidade: calçadas esburacadas, pisos escorregadios, degraus nas ruas e tempo ou respeito para atravessar as ruas insuficientes.

No exercício do Índice Cidadão de Caminhabilidade e idéia é dar ferramentas para as pessoas serem melhores observadores e reivindicadores de uma cidade melhor para caminhar e usar os espaços públicos. Para isso, a metodologia provoca as pessoas a olharem as ruas caminhadas através de 6 camadas: pisos, mobiliário urbano, sinalização, travessias, fachadas e sensações. Nesse exercício, deve-se apontar e registrar através de foto com moldura vermelha o que está ruim no caminho, desestimulando ou sendo um obstáculo para caminhar, e com a moldura verde o que está bom e deve ser mais valorizado e promovido na cidade.

No início o olhar dos e das participantes se focava no que já era considerado um dos maiores medos e barreiras ao caminhar: as calçadas. As larguras, presença de obstáculos e estado de conservação das calçadas foram os elementos mais observados durante a atividade. Houve dificuldade inicial em observar os outros elementos que compõem a paisagem urbana e como eles podem afetar na qualidade do caminhar. Porém, quando instigados a reparar nas outras “camadas” da cidade, foram descobertos diversos outros problemas e potencialidades do espaço. Alguns como a necessidade de mobiliário de descanso, segurança para travessia, necessidade de arborização, importância da sinalização para quem está se deslocando a pé, como as fachadas e os edifícios privados interagem com a rua, influência na sensação de segurança e prazer em caminhar, entre outras. Foi interessante notar que, ao longo da atividade, os participantes ficaram mais exigentes ao darem suas notas e com olhar mais aguçado às diversas camadas.

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Registro de participante apontando prédio histórico e fachada bem mantida na rua do SESC Carmo, porém sem nenhuma informação sobre o edifício e a proximidade com a estação Sé do Metrô

Caminhando no entorno do SESC Carmo, no centro, o grupo chamou atenção para a falta de comunicação para quem está a pé, principalmente considerando que há tantos equipamentos próximos e inclusive prédios históricos, os quais não é possível saber nenhuma informação. Notaram a ausência até mesmo de indicação para a estação Sé do Metrô, que está muito próxima. E perceberam como isso mudaria a experiência de caminhar na cidade e daria mais autonomia para ir a lugares desconhecidos e se localizar.

Indo para a Zona Sul, na caminhada no entorno do SESC Ipiranga os participantes, a maioria moradores do bairro, elegeram uma rua preferida. Nela, havia muito uso misto, ou seja térreos das casas comerciais e andares em cima residenciais. O comércio era bastante diverso, podendo acessar e resolver vários serviços em uma única quadra. E a interação do comércio com a rua era bastante positiva, inclusive sendo notado que uma floricultura deixava o cheiro da rua agradável. Depois de passar por essa rua foi mais fácil notar como muros enormes e sem interface com a rua são muito ruins para quem está a pé. Apesar de o bairro ser tranquilo e ter uma esfera sonora bastante agradável, em uma rua principal notou-se muita dificuldade para atravessar, pois os motoristas não param na faixa, gerando bastante insegurança.

Na outra ponta da região metropolitana, no recém inaugurado SESC Guarulhos, os participantes ficaram bastante impressionados com a irregularidade das calçadas, recebendo assim a pior avaliação. Alguns dos problemas destacados foram buracos, carros estacionados em cima da calçada, largura insuficiente, garagens que invadem a calçada, churrasqueira e propagando nas calçadas, além de degraus e inclinação como obstáculo para caminhar. E isso tudo em ruas planas e que teriam espaço para expandir as calçadas e serem. Dessa forma, os participantes apontaram que moradores e poder público devem fazer sua parte, respeitando o espaço público e com fiscalização.

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Registro de participante apontando um dos obstáculos em calçadas que os comércios colocam

Por fim, no interior do estado, em São Carlos, a caminhada foi em área estritamente residencial. Por se tratar de uma cidade ensolarada com clima quente, e caminharmos em terreno com relevo chamou atenção a falta de árvores e conforto térmico, assim como o fato das calçadas serem construídas para os carros acessarem as garagens e não para as pessoas caminharem. Além disso a área tinha duas particularidades bastante interessantes, uma é estar ao lado do trilho de trem que atravessa a cidade, a outra ter um parque linear acompanhando um córrego. Se por um lado a solução para transpor os trilhos do trem gera insegurança, por outro, as novas pontes que atravessam o córrego estavam equipadas com bancos para sentar e lixeiras, sendo um bom exemplo.

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Registro de participante apontando como positivo os bancos para sentar nas pontes em São Carlos

Comum a todas as experiências, pudemos notar que era a primeira vez que essas pessoas idosas eram perguntadas sobre o que achavam das ruas, das condições para caminhar e o que desde suas perspectivas estava bom e ruim. Por isso, também geraram-se expectativas de que os problemas encontrados poderiam ser resolvidos, pois agora eram capazes de visionar mudanças. Assim, no final da atividade proporcionamos um momento de sonhar e imaginar outras realidades possíveis.

Algumas ideias para cidades amiga da geração 60+

Depois de caminhar, com o olhar crítico e sentimentos aguçados, conversamos sobre como seria uma cidade melhor para as pessoas de todas as idades. Considerando não apenas atributos físicos, mas também outros elementos de convivência nas ruas as fariam sair mais e explorar mais as cidades de forma segura e confortável.

Respeito é a palavra que dá o tom para diversas situações, seja para atravessar a rua, para poder sentar na cidade e até mesmo pegar o ônibus. Mas respeito não é algo que ocorre só entre pessoas, mas na relação com a cidade também. Quando não há onde atravessar em segurança as pessoas se sentem e são desrespeitadas pela estrutura da cidade, o mesmo quando não há onde sentar ou informação dos ônibus que passam. Mas também há bastante desrespeito das pessoas que se interage nos percursos pela cidade. Para o grupo em questão, 60+, o desrespeito de motoristas de ônibus é o que chama mais atenção no seu dia a dia, muitas vezes não tem paciência para o seu ritmo e não esperam se acomodar e outras vezes nem mesmo param no ponto.

Considerando que as pessoas precisam compreender melhor as dinâmicas das pessoas idosas para respeitar e além de ter sido sido apontado como desejo coletivo a convivência com pessoas mais jovens para trocar experiências. A cidade ideal deve ter espaços públicos que estimule a interação intergeracional. Podendo ser praças que contemplem públicos diversos e provoquem sua interação ou mesmo equipamentos públicos e edifícios históricos.

Uma atividade que várias cidades adotam para promover esta aproximação é conhecida como “biblioteca viva” em que pessoas idosas compartilham seus conhecimentos e experiências para as pessoas mais novas. Em Kuala Lumpur, capital da Malásia, além de compartilhar histórias de vida as pessoas são provocadas a compartilhar muitos de seus desafios na cidade que se agravaram com a idade, como o tempo para atravessar as ruas. E desta forma, as pessoas mais novas depois participam de alguns workshops para ajudar a criar soluções para estes desafios. Outro exemplo, bastante próximo, de contato e relação intergeracional acontece em Santos,no litoral paulista, através do turismo. O programa intitulado de “Vovô Sabe Tudo” aloca pessoas idosas para trabalhar como guias e compartilhar conhecimento em pontos históricos e culturais da cidade. Assim as pessoas idosas continuam muito ativas e valorizadas na cidade.

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Idoso que atua como guia turístico no bonde de Santos. Foto: Prefeitura de Santos

Com relação ao desrespeito das estruturas físicas a solução é simples: promover uma cidade verdadeiramente caminhável que prioriza quem está a pé. Foi apontado para isso, calçadas amplas, niveladas, sem buracos e sem obstáculos. Travessias bem posicionadas, seguras e com tempos adequados para diversos ritmos, com continuidade dos trajetos. Ou seja, nada que seja novidade, ou que não seja garantido por lei. Sendo assim urgente que as cidades olhem as ruas desde a escala humana para garantir estes direitos mínimos para se deslocar a pé.

Falou-se também em ruas limpas, sem ruídos excessivos e com rotas e locais muito bem sinalizadas. Legibilidade e sinalização para as pessoas a pé se torna ainda mais essencial para pessoas mais velhas e mulheres. Alguns exemplos de projetos que promovem a comunicação e mapeamento das rotas e territórios é o “Passeia Jardim Nakamura”, em São Paulo. E vale a pena destacar o projeto “Rio a Pé” realizado no Rio de Janeiro antes da cidade receber as Olimpíadas em 2016.

Árvores frutíferas nas ruas foi outra demanda das pessoas participantes. Acreditam que as árvores deixam a cidade mais amigável e quando são frutíferas se tem uma relação mais próxima de interação e convivência com a natureza da cidade, além de terem muitas memórias afetivas relacionadas a pegar frutas do pé.

Neste sentido, a Câmara de Vereadores de Araraquara lançou no ano passado o projeto “Nosso Pomar”, que consiste em plantar árvores frutíferas pela cidade com objetivo de promover uma alimentação mais diversa e saudável, pois as pessoas poderão colher e comer frutas nas calçadas. Mesmo sem contar com projetos coordenados já há muitas árvores frutíferas nas ruas e é possível consultar onde em mapa colaborativo online.

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Jaqueira na Avenida Brigadeiro Luis Antônio publicada no instagram do SampaPé!

Espaços para descanso e contemplação da cidade também foi desejado. Desde banco nas calçadas como criação de mais espaços verdes e praças. Tomando São Paulo como base, e entendendo que este padrão deve se reproduzir em várias cidades, em que cerca de 70% do espaço público é espaço viário, estratégias que transforma área de vagas em pequenas praças como os parklets e até mesmo programas de abertura de ruas para as pessoas como a Paulista Aberta, certamente colaboram para a presença e conforto de idosos na cidade.

Desta forma, ainda que possa parecer que estamos distantes de ter cidades de acolham e respeitem a geração 60+ resolver este problema não requer ações impossíveis ou inviáveis. Antes é preciso promover a participação das pessoas nesta construção e a partir disso com vontade, estratégia e atitude nossas cidades serão amigas dos idosos, idosas e pessoas de todas as idades.

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ONG que tem como fim melhorar a experiência de caminhar nas cidades.

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